Mostrando postagens com marcador 2ª série EM. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 2ª série EM. Mostrar todas as postagens

domingo, 15 de outubro de 2017

"MACHADO DE ASSIS, O BRUXO DAS PALAVRAS" (Vídeos)

Parte 1 - O cronista e o seu tempo. 


(1.) Qual a opinião de Machado de Assis sobre o voto feminino e o carnaval?
(2.) Que crítica se faz a Machado de Assis em relação ao seu posicionamento na campanha abolicionista?
(3.) Quais gêneros literários Machado de Assis produziu ao longo de sua carreira?
(4.) Qual a importância da cidade do Rio de Janeiro na obra machadiana?


Parte 2 - O romancista e sua escrita.



(5.) Quais as principais características do teatro e da poesia de Machado de Assis?
(6.) Um dos principais críticos de Machado foi o sergipano Silvio Romero. Em que consiste a crítica de Romero a Machado de Assis?
(7.) Quais são os considerados romances da fase romântica de Machado de Assis? Como Machado tratou o romantismo nessas obras?
(8.) Cronologicamente, quais períodos históricos Machado aborda em sua produção literária?

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

O ALIENISTA - Machado de Assis


Caso Especial - O ALIENISTA
Adaptação realizada pela Rede Globo a partir
do conto de Machado de Assis.
Dirigido por: Guel Arraes
Redação: Jorge Furtado e Naum Alves de Souza.
Texto final: Guel Arraes e Pedro Cardoso
Produção: 1993


Fonte: https://nossalinguaviva.files.wordpress.com/2011/06/o-alienista.jpg





Clique na imagem acima para ler o conto original.

domingo, 12 de julho de 2015

INTERTEXTUALIDADE [ #2 ] - AS DIVERSAS CANÇÕES DO EXÍLIO


O poema “Canção do exílio”, de Gonçalves Dias, é um dos mais revisitados da língua portuguesa. Vários autores, em diversas épocas, se inspiraram neste poema.


CANÇÃO DE EXÍLIO (Casimiro de Abreu)

Se eu tenho de morrer na flor dos anos,
Meu Deus! não seja já;
Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde,
Cantar o sabiá!

Meu Deus, eu sinto e tu bem vês que eu morro
Respirando este ar;
Faz que eu viva, Senhor! dá-me de novo
Os gozos do meu lar!

O país estrangeiro mais belezas
Do que a pátria, não tem;
E este mundo não vale um só dos beijos
Tão doces duma mãe!

Dá-me os sítios gentis onde eu brincava
Lá na quadra infantil;
Dá que eu veja uma vez o céu da pátria,
O céu do meu Brasil!



CANTO DE REGRESSO À PÁTRIA (Oswald de Andrade)

Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos aqui
Não cantam como os de lá

Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra

Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá

Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo.



NOVA CANÇÃO DO EXÍLIO (Carlos Drummond de Andrade)

Um sabiá na
palmeira, longe.

Estas aves cantam
um outro canto.

O céu cintila
sobre flores úmidas.
Vozes na mata,
e o maior amor.

Só, na noite,
seria feliz:
um sabiá,
na palmeira, longe.

Onde tudo é belo
e fantástico,
só, na noite,
seria feliz.
(Um sabiá,
na palmeira, longe.)

Ainda um grito de vida e
voltar
para onde tudo é belo
e fantástico:
a palmeira, o sabiá,
o longe.



CANÇÃO DO EXÍLIO FACILITADA (José Paulo Paes)

Lá?
Ah!

Sabiá...
papá...
maná...
sofá...
sinhá...

Cá?
Bah!



CANÇÃO DO EXÍLIO ÀS AVESSAS (Jô Soares)

Minha Dinda tem cascatas
Onde canta o curió
Não permita Deus que eu tenha
De voltar pra Maceió.
Minha Dinda tem coqueiros
Da Ilha de Marajó
As aves, aqui, gorjeiam
Não fazem cocoricó.

O meu céu tem mais estrelas
Minha várzea tem mais cores.
Este bosque reduzido
deve ter custado horrores.
E depois de tanta planta,
Orquídea, fruta e cipó,
Não permita Deus que eu tenha
De voltar pra Maceió.

Minha Dinda tem piscina,
Heliporto e tem jardim
feito pela Brasil’s Garden:
Não foram pagos por mim.
Em cismar sozinho à noite
sem gravata e paletó
Olho aquelas cachoeiras
Onde canta o curió.

No meio daquelas plantas
Eu jamais me sinto só.
Não permita Deus que eu tenha
De voltar pra Maceió.
Pois no meu jardim tem lagos
Onde canta o curió
E as aves que lá gorjeiam
São tão pobres que dão dó.

Minha Dinda tem primores
De floresta tropical.
Tudo ali foi transplantado,
Nem parece natural.
Olho a jabuticabeira
dos tempos da minha avó.
Não permita Deus que eu tenha
De voltar pra Maceió.

Até os lagos das carpas
São de água mineral.
Da janela do meu quarto
Redescubro o Pantanal.
Também adoro as palmeiras
Onde canta o curió.
Não permita Deus que eu tenha
De voltar pra Maceió.

Finalmente, aqui na Dinda,
Sou tartado a pão-de-ló.
Só faltava envolver tudo
Numa nuvem de ouro em pó.
E depois de ser cuidado
Pelo PC, com xodó,
Não permita Deus que eu tenha
De acabar no xilindró.

A versão de Jô Soares tomou como base os acontecimentos que resultaram no impeachment do presidente Fernando Collor de Melo, em 1992. A Casa da Dinda, como era o nome da residência oficial do então presidente, foi alvo de uma reportagem por parte da Revista Veja ("As floridas cachoeiras da corrupção", em 9/9/1992) que mostrava a quantia exorbitante de dinheiro que fora gasto na sua ampliação e manutenção, num dos escândalos que acabaram derrubando o presidente do poder.

INTERTEXTUALIDADE [ #1 ] - AS DIVERSAS "CANÇÕES DO EXÍLIO"



CANÇÃO DO EXÍLIO (Gonçalves Dias, 1843)

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá; 
As aves, que aqui gorjeiam, 
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas, 
Nossas várzeas têm mais flores, 
Nossos bosques têm mais vida, 
Nossa vida mais amores.

Em  cismar, sozinho, à noite, 
Mais prazer eu encontro lá; 
Minha terra tem palmeiras, 
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar – sozinho, à noite –
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

A “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias, texto-matriz, foi produzida no primeiro momento do Romantismo Brasileiro, época na qual se vivia uma forte onda de nacionalismo, que se devia ao recente rompimento do Brasil-colônia com Portugal. O poeta trata,neste sentido, de demonstrar aversão aos valores portugueses e ressaltar os valores naturais do Brasil.

Quando Gonçalves Dias escreveu este poema, cursava a Faculdade de Direito em Coimbra, em julho de 1843. Vivia, dessa forma, um exílio físico e geográfico. Tradicionalmente, esta é a situação do exílio.

CANÇÃO DO EXÍLIO (Murilo Mendes, 1930)

Minha terra tem macieiras da Califórnia 
onde cantam gaturamos de Veneza. 
Os poetas da minha terra 
são pretos que vivem em torres de ametista, 
os sargentos do exército são monistas, cubistas, 
os filósofos são polacos vendendo a prestações. 
A gente não pode dormir 
com os oradores e os pernilongos. 
Os sururus em família têm por testemunha a
                                            [ Gioconda. 
Eu morro sufocado 
em terra estrangeira. 
Nossas flores são mais bonitas 
nossas frutas mais gostosas 
mas custam cem mil réis a dúzia. 

Ai quem me dera chupar uma carambola de
                                            [ verdade
e ouvir um sabiá com certidão de idade! 

O poema de Murilo Mendes é uma produção do período Modernista, surgido a partir da década de 1920 no país. Essa época se caracterizava pelo nacionalismo crítico e por uma revisão tanto da história do Brasil como da produção literária anterior que, segundo o pensamento da época, havia uma apropriação inadequada das produções e ideais estrangeiros.

Murilo Mendes, em sua “Canção do Exílio”, denuncia a invasão cultural estrangeira no Brasil. O nacionalismo em seu poema se fundamenta numa crítica à realidade sociocultural brasileira. Ele não se conforma em se aceitar tudo o que vêm de fora: as frutas, os pássaros, os artistas, as ideologias… Ele tem consciência de que também temos coisas boas e que temos de valorizá-las. Ele mostra, porém, que quando isso acontece, o preço das coisas sobem: temos de comprar frutas de “quinta categoria”, que são baratas, pois as nossas frutas, que são às melhores, são exportadas e, quando comercializadas aqui, custam “o olho da cara”. Essa desigualdade sócio-cultural faz o poeta sentir-se um exilado em sua própria terra.


UMA CANÇÃO (Mario Quintana, 1962)

Minha terra não tem palmeiras...
E em vez de um mero sabiá,
Cantam aves invisíveis
Nas palmeiras que não há.

Minha terra tem relógios,
Cada qual com sua hora
Nos mais diversos instantes...
Mas onde o instante de agora?

Mas onde a palavra "onde"?
Terra ingrata, ingrato filho,
Sob os céus da minha terra
Eu canto a Canção do Exílio!

Mário Quintana, poeta modernista, em sua releitura “Uma Canção”, não apresenta um exílio geográfico, mas de uma inadaptação da realidade que o envolve: o onde e o agora. É através desse questionamento da existência que o poeta nega dois valores fundamentais do texto-mãe: “as palmeiras e o sabiá”, quando afirma que “As aves invisíveis cantam em palmeiras que não há”. Ele se sente como Murilo Mendes, um exilado em sua própria terra.


Referências:

AMARAL, Emília et al. Novas palavras: língua portuguesa: ensino médio: 2ª série. 2.ed.renov. São Paulo: FTD, 2005.

SANTOS, Paula Perin dos. Canção do exílio. Disponível em Infoescola.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

O AMOR ACABA (Paulo Mendes Campos)


Fonte: https://daniellemoraes.files.wordpress.com/2010/01/0amor-que-se-acabou.jpg
 
O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova York; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.
Disponível em: <http://www.releituras.com/i_eleonora_pmcampos.asp>. Acesso em: 20 fev. 2015.




O AMOR ACONTECE* (Adriana Falcão)

Fonte: http://www.yogajournal.com.br/wp-content/uploads/2014/02/figura_amor3.jpg

Parece que tem acontecido mais raramente, ninguém sabe ao certo por que, mas, de repente, olha lá ele. O amor acontece quando quer, sem dar ouvidos a pedidos humanos, talvez porque seja inclemente, ou porque apenas obedeça a ordens superiores, ou porque esteja convicto daquilo que está fazendo. Alguém diz algo agradável e o amor acontece. Alguém diz um absurdo e o amor acontece. Alguém não diz nada e o amor acontece. Alguém toma uma atitude e o amor acontece. Alguém canta o amor e ele acontece. Ninguém está esperando e o amor acontece. Numa manhã meio nublada de uma data sem importância, em pleno sol de domingo, no dia da padroeira, embaixo de um temporal, em qualquer estação do ano, às margens do Tietê, do Capibaribe, ou do Sena, não importa a ocasião, é no coração que o amor acontece. Na teimosia de uma tarde no escritório, no meio de uma reunião, de uma ligação, de um cafezinho, acontece de o amor vir para enxotar o tédio e trazer a noite às pressas. Entre dois adolescentes que ficam juntos numa festa, sem nenhum planejamento prévio, o "ficar" vai ficando premente, e o amor exige um namoro. Num vigésimo "alô", quando uma voz sente vontade de falar mais, e eternamente, a despeito da conta telefônica, o impulso do amor cruza a linha de chegada. Na plateia do cinema, acontece vez por outra: uma cena desperta uma emoção, que desperta outra, que desperta outra, e lá vem o amor provar que "a vida é amiga da arte", como diz Caetano Veloso. Após um beijo casual, no fim de uma noite que parecia não ter futuro, duas mãos se entrelaçam com firmeza, e os corações se aquecem no aconchego do amor que acontece. No meio da pista lotada, o rapaz enlaça a moça, ele cheira a fumaça, ela cheira a lavanda, a música techno dá lugar a sinos, o DJ se transforma em Frei Lourenço e presencia o acontecimento. Na frente da televisão, a paixão, já fatigada, dá um último suspiro, mas outro sentimento surge, e é o amor acontecendo em seu feitio manso. Numa madrugada fria, debaixo de um cobertor, acontece o amor. Dentro de um carro estacionado, apesar do medo de assalto, acontece o amor. Atrás de um muro, no escuro, na moita, proibido de acontecer, ele não quer nem saber. Acontece com a pessoa certa ou com a pessoa errada, será que o amor descrê do erro? Acontece de acontecer de um lado só, provocando dor, mas se acontece de dois lados, como pode ser tão bom? Acontece de várias formas, seja em encontro escondido, seja em jantar esporádico, seja em vestido de noiva, seja em casas separadas, seja em cidades distantes, e às vezes se transforma, modificando crenças e planos. Seja como for, assim penso, vale a pena comemorar o acontecido. Acontece de durar um dia, uma noite, uma semana, um mês, um ano, uma década, uma vida, sem certificado de garantia, nem prazo de validade, ele e seus perigos, como um equilibrista no fio. E de repente, muitas vezes, o amor vai e desacontece sem que ninguém saiba o motivo. Mas isso é uma outra história, escrita por um outro cronista.

* Este texto é inspirado na crônica “O Amor Acaba”, do meu ídolo Paulo Mendes Campos.


FALCÃO, Adriana. O amor acontece. O Estado de S.Paulo, 10 jul. 2009. Disponível em: <http://cultura.estadao.com.br/noticias/artes,o-amor-acontece,400981>. Acesso em: 20 fev. 2015.