(1.) Qual a opinião de Machado de Assis sobre o voto feminino e o carnaval?
(2.) Que crítica se faz a Machado de Assis em relação ao seu posicionamento na campanha abolicionista?
(3.) Quais gêneros literários Machado de Assis produziu ao longo de sua carreira?
(4.) Qual a importância da cidade do Rio de Janeiro na obra machadiana?
Parte 2 - O romancista e sua escrita.
(5.) Quais as principais características do teatro e da poesia de Machado de Assis? (6.) Um dos principais críticos de Machado foi o sergipano Silvio Romero. Em que consiste a crítica de Romero a Machado de Assis? (7.) Quais são os considerados romances da fase romântica de Machado de Assis? Como Machado tratou o romantismo nessas obras? (8.) Cronologicamente, quais períodos históricos Machado aborda em sua produção literária?
Sofro aceleradíssimas pancadas No coração. Ataca-me a existência A mortificadora coalescência Das desgraças humanas congregadas!
Em alucinatórias cavalgadas, Eu sinto, então, sondando-me a consciência A ultrainquisitorial clarividência De todas as neuronas acordadas!
Quanto me dói no cérebro esta sonda! Ah! Certamente eu sou a mais hedionda Generalização do Desconforto...
Eu sou aquele que ficou sozinho Cantando sobre os ossos do caminho A poesia de tudo quanto é morto!
Versos íntimos Vês?! Ninguém assistiu ao formidável Enterro de tua última quimera. Somente a Ingratidão - esta pantera - Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera! O Homem, que, nesta terra miserável, Mora, entre feras, sente inevitável Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro! O beijo, amigo, é a véspera do escarro, A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga, Apedreja essa mão vil que te afaga, Escarra nessa boca que te beija!
Vandalismo
Meu coração tem catedrais imensas, Templos de priscas e longínquas datas, Onde um nume de amor, em serenatas, Canta a aleluia virginal das crenças.
Na ogiva fúlgida e nas colunatas Vertem lustrais irradiações intensas Cintilações de lâmpadas suspensas E as ametistas e os florões e as pratas.
Como os velhos Templários medievais Entrei um dia nessas catedrais E nesses templos claros e risonhos…
E erguendo os gládios e brandindo as hastas, No desespero dos iconoclastas Quebrei a imagem dos meus próprios sonhos!
No vídeo (cujo link encontra-se abaixo) exibido no Programa Globo Rural, podemos acompanhar como é o processo de confecção de uma matriz de xilogravura, que vai ilustrar a capa dos folhetos de literatura popular ou cordel.
A Lei Maria da Penha em cordel, por Tião Simpatia.
A lei Maria da Penha Está em pleno vigor Não veio pra prender homem Mas pra punir agressor Pois em “mulher não se bate Nem mesmo com uma flor”.
A violência doméstica Tem sido uma grande vilã E por ser contra a violência Desta lei me tornei fã Pra que a mulher de hoje Não seja uma vítima amanhã.
Toda mulher tem direito A viver sem violência É verdade, está na lei. Que tem muita eficiência Pra punir o agressor E à vítima, dar assistência.
Tá no artigo primeiro Que a lei visa coibir; A violência doméstica Como também, prevenir; Com medidas protetivas E ao agressor, punir.
Já o artigo segundo Desta lei especial Independente de classe Nível educacional De raça, de etnia; E opção sexual...
De cultura e de idade De renda e religião Todas gozam dos direitos Sim, todas! sem exceção Que estão assegurados Pela constituição.
E que direitos são esses? Eis aqui a relação: À vida, à segurança. Também à alimentação À cultura e à justiça À saúde e à educação.
Além da cidadania Também à dignidade Ainda tem moradia E o direito à liberdade. Só tem direitos nos “as”, E nos “os”, não tem novidade?
Tem! tem direito ao esporte Ao trabalho e ao lazer E o acesso à política Pro Brasil desenvolver E tantos outros direitos Que não dá tempo dizer.
E a Lei Maria da Penha Cobre todos esses planos? Ah, já estão assegurados Pelos direitos humanos. A lei é mais um recurso Pra corrigir outros danos.
Por exemplo: a mulher Antes da lei existir, Apanhava e a justiça Não tinha como punir Ele voltava pra casa E tornava a agredir.
Com a lei é diferente É crime inaceitável Se bater, vai pra cadeia. Agressão é intolerável. O estado protege a vítima Depois pune o responsável.
Segundo o artigo sétimo Os tipos de violência Doméstica e familiar Têm na sua abrangência As cinco categorias Que descrevo na sequência.
A primeira é a física Entendendo como tal: Qualquer conduta ofensiva De modo irracional Que fira a integridade E a saúde corporal...
Tapas, socos, empurrões; Beliscões e pontapés Arranhões, puxões de orelha; Seja um, ou sejam dez Tudo é violência física E causam dores cruéis.
Vamos ao segundo tipo Que é a psicológica Esta merece atenção Mais didática e pedagógica Com a autoestima baixa Toda a vida perde a lógica...
Chantagem, humilhação; Insultos; constrangimento; São danos que interferem No seu desenvolvimento Baixando a autoestima E aumentando o sofrimento.
Violência sexual: Dá-se pela coação Ou uso da força física Causando intimidação E obrigando a mulher Ao ato da relação...
Qualquer ação que impeça Esta mulher de usar Método contraceptivo Ou para engravidar Seu direito está na lei Basta só reivindicar.
A quarta categoria É a patrimonial: Retenção, subtração, Destruição parcial Ou total de seus pertences Culmina em ação penal...
Instrumentos de trabalho Documentos pessoais Ou recursos econômicos Além de outras coisas mais Tudo isso configura Em danos materiais.
A quinta categoria É violência moral São os crimes contra a honra Está no código penal Injúria, difamação; Calúnia, etc. e tal.
Segundo o artigo quinto Esses tipos de violência Dão-se em diversos âmbitos Porém é na residência Que a violência doméstica Tem sua maior incidência.
E quem pode ser enquadrado Como agente/agressor? Marido ou companheiro Namorado ou ex-amor No caso de uma doméstica Pode ser o empregador.
Se por acaso o irmão Agredir a sua irmã O filho, agredir a mãe; Seja nova ou anciã É violência doméstica São membros do mesmo clã.
E se acaso for o homem Que da mulher apanhar? É violência doméstica? Você pode me explicar? Tudo pode acontecer No âmbito familiar!
Nesse caso é diferente; A lei é bastante clara: Por ser uma questão de gênero Somente à mulher, ampara. Se a mulher for valente O homem que livre a cara.
E procure seus direitos Da forma que lhe convenha Se o sujeito aprontou E a mulher desceu-lhe a lenha Recorra ao código penal Não à Lei Maria da Penha.
Agora, num caso lésbico; Se no qual a companheira Oferecer qualquer risco À vida de sua parceira A agressora é punida; Pois a lei não dá bobeira.
Para que os seus direitos Estejam assegurados A Lei Maria da Penha Também cria os juizados De violência doméstica Para todos os estados.
Aí, cabe aos governantes De cada federação Destinarem os recursos Para implementação Da Lei Maria da Penha Em prol da população.
Espero ter sido útil Neste cordel que criei Para informar o povo Sobre a importância da lei Pois quem agride uma rainha Não merece ser um rei.
Dizia o velho ditado Que “ninguém mete a colher”. Em briga de namorado Ou de “marido e mulher” Não metia... agora, mete! Pois isso agora reflete No mundo que a gente quer.
O menino, de uns dez anos, pés no chão, vinha andando pela estrada de terra da fazenda com a gaiola na mão. Sol forte de uma hora da tarde. A menina de uns nove anos ia de carro com o pai, novo dono da fazenda. Gente de São Paulo. Ela viu o passarinho na gaiola e pediu ao pai: - Olha que lindo! Compra pra mim? O homem parou o carro e chamou: - Ô menino. O menino voltou, chegou perto, carinha boa. Parou do lado da janela da menina. O homem: - Este passarinho é pra vender? - Não senhor. O pai olhou para a filha com uma cara de deixa pra lá. A filha pediu suave como se o pai tudo pudesse: - Fala pra ele vender. O pai, mais para atendê-la, apenas intermediário: - Quanto você quer pelo passarinho? - Não tou vendendo não senhor. A menina ficou decepcionada e segredou: - Ah, pai, compra. Ela não considerava, ou não aprendera ainda, que negócio só se faz quando existe um vendedor e um comprador. No caso, faltava o vendedor. Mas o pai era um homem de negócios, águia da Bolsa, acostumado a encorajar os mais hesitantes ou a virar a cabeça dos mais recalcitrantes: - Dou dez mil. - Não senhor. - Vinte mil. - Vendo não. O homem meteu a mão no bolso, tirou o dinheiro, mostrou três notas, irritado. - Trinta mil. - Não tou vendendo, não, senhor. O homem resmungou “que menino chato” e falou pra filha: - Ele não quer vender. Paciência. A filha, baixinho, indiferente às impossibilidades da transação: - Mas eu queria. Olha que bonitinho. O homem olhou a menina, a gaiola, a roupa encardida do menino, com um rasgo na manga o rosto vermelho de sol. - Deixa comigo. Levantou-se, deu meia volta, foi até lá. A menina procurava intimidade com o passarinho, dedinho nas grestas da gaiola. O homem, maneiro, estudando o adversário: - Qual é o nome deste passarinho? - Ainda não botei nome nele, não. Peguei ele agora. O homem, quase impaciente: - Não perguntei se ele é batizado não, menino. É pintassilgo, é sábia, é o quê? - Aaaah. É bico-de-lacre. A menina, pela primeira vez, falou com o menino: - Ele vai crescer? O menino parou os olhos pretos nos olhos azuis. - Cresce nada. Ele é assim mesmo, pequenininho. O homem: - Canta? - Canta nada. Só faz chiar assim. - Passarinho besta, hein? - É. Não presta pra nada. É só bonito. - Você Pegou ele dentro da fazenda? - É. Aí no mato. - Essa fazenda é minha. Tudo que tem nela é meu. O Menino segurou com mais força a alça da gaiola, ajudou com a outra mão nas grades. O homem achou que estava na hora e falou já botando a mão na gaiola, dinheiro na outra mão. - Dou quarenta mil! Toma aqui. - Não senhor, muito obrigado. O Homem, meio mandão: - Vende isso logo, menino. Não ta vendo que é pra menina? - Não, não tou vendendo não. - Cinquenta mil! Toma! _ e puxou a gaiola. Com cinquenta mil se comprava um saco de feijão, ou dois pares de sapatos, ou uma bicicleta velha. O menino resistiu, segurando a gaiola, voz trêmula. - Quero não senhor. Tou vendendo não. - Não vende por quê, hein? Por quê? O menino acuado, tentado explicar: - É que eu demorei a manhã todinha pra pegar ele e tou com fome e com sede, e queria ter ele mais um pouquinho. Mostrar pra mamãe. O homem voltou para o carro, nervoso. Bateu a porta, culpando a filha pelo aborrecimento.
- Viu no que dá mexer com essa gente? É tudo ignorante, filha. Vam'bora. O menino chegou pertinho da menina e falou baixo, para só ela ouvir: - Amanhã eu dou ele pra você. Ela sorriu e compreendeu.