Mostrando postagens com marcador Vídeos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Vídeos. Mostrar todas as postagens

domingo, 15 de outubro de 2017

"MACHADO DE ASSIS, O BRUXO DAS PALAVRAS" (Vídeos)

Parte 1 - O cronista e o seu tempo. 


(1.) Qual a opinião de Machado de Assis sobre o voto feminino e o carnaval?
(2.) Que crítica se faz a Machado de Assis em relação ao seu posicionamento na campanha abolicionista?
(3.) Quais gêneros literários Machado de Assis produziu ao longo de sua carreira?
(4.) Qual a importância da cidade do Rio de Janeiro na obra machadiana?


Parte 2 - O romancista e sua escrita.



(5.) Quais as principais características do teatro e da poesia de Machado de Assis?
(6.) Um dos principais críticos de Machado foi o sergipano Silvio Romero. Em que consiste a crítica de Romero a Machado de Assis?
(7.) Quais são os considerados romances da fase romântica de Machado de Assis? Como Machado tratou o romantismo nessas obras?
(8.) Cronologicamente, quais períodos históricos Machado aborda em sua produção literária?

segunda-feira, 13 de março de 2017

AUGUSTO DOS ANJOS - POEMAS



O poeta do hediondo

Sofro aceleradíssimas pancadas
No coração. Ataca-me a existência
A mortificadora coalescência
Das desgraças humanas congregadas!

Em alucinatórias cavalgadas,
Eu sinto, então, sondando-me a consciência
A ultrainquisitorial clarividência
De todas as neuronas acordadas! 

Quanto me dói no cérebro esta sonda!
Ah! Certamente eu sou a mais hedionda
Generalização do Desconforto...


Eu sou aquele que ficou sozinho
Cantando sobre os ossos do caminho
A poesia de tudo quanto é morto! 





Versos íntimos


Vês?! Ninguém assistiu ao formidável

Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera - 
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!





Vandalismo

Meu coração tem catedrais imensas,
Templos de priscas e longínquas datas,
Onde um nume de amor, em serenatas,
Canta a aleluia virginal das crenças.

Na ogiva fúlgida e nas colunatas
Vertem lustrais irradiações intensas
Cintilações de lâmpadas suspensas
E as ametistas e os florões e as pratas.

Como os velhos Templários medievais
Entrei um dia nessas catedrais
E nesses templos claros e risonhos…

E erguendo os gládios e brandindo as hastas,
No desespero dos iconoclastas
Quebrei a imagem dos meus próprios sonhos!

quarta-feira, 23 de abril de 2014

XILOGRAVURA

 

No vídeo (cujo link encontra-se abaixo) exibido no Programa Globo Rural, podemos acompanhar como é o processo de confecção de uma matriz de xilogravura, que vai ilustrar a capa dos folhetos de literatura popular ou cordel.


 

sexta-feira, 11 de abril de 2014

PROJETO: VIOLÊNCIA E DIREITOS HUMANOS [ # 2 ] - A LEI MARIA DA PENHA EM CORDEL

A Lei Maria da Penha em cordel, por Tião Simpatia.

A lei Maria da Penha
Está em pleno vigor
Não veio pra prender homem
Mas pra punir agressor
Pois em “mulher não se bate
Nem mesmo com uma flor”.
A violência doméstica
Tem sido uma grande vilã
E por ser contra a violência
Desta lei me tornei fã
Pra que a mulher de hoje
Não seja uma vítima amanhã.
Toda mulher tem direito
A viver sem violência
É verdade, está na lei.
Que tem muita eficiência
Pra punir o agressor
E à vítima, dar assistência.
Tá no artigo primeiro
Que a lei visa coibir;
A violência doméstica
Como também, prevenir;
Com medidas protetivas
E ao agressor, punir.
Já o artigo segundo
Desta lei especial
Independente de classe
Nível educacional
De raça, de etnia;
E opção sexual...
De cultura e de idade
De renda e religião
Todas gozam dos direitos
Sim, todas! sem exceção
Que estão assegurados
Pela constituição.
E que direitos são esses?
Eis aqui a relação:
À vida, à segurança.
Também à alimentação
À cultura e à justiça
À saúde e à educação.
Além da cidadania
Também à dignidade
Ainda tem moradia
E o direito à liberdade.
Só tem direitos nos “as”,
E nos “os”, não tem novidade?
Tem! tem direito ao esporte
Ao trabalho e ao lazer
E o acesso à política
Pro Brasil desenvolver
E tantos outros direitos
Que não dá tempo dizer.
E a Lei Maria da Penha
Cobre todos esses planos?
Ah, já estão assegurados
Pelos direitos humanos.
A lei é mais um recurso
Pra corrigir outros danos.
Por exemplo: a mulher
Antes da lei existir,
Apanhava e a justiça
Não tinha como punir
Ele voltava pra casa
E tornava a agredir.
Com a lei é diferente
É crime inaceitável
Se bater, vai pra cadeia.
Agressão é intolerável.
O estado protege a vítima
Depois pune o responsável.
Segundo o artigo sétimo
Os tipos de violência
Doméstica e familiar
Têm na sua abrangência
As cinco categorias
Que descrevo na sequência.
A primeira é a física
Entendendo como tal:
Qualquer conduta ofensiva
De modo irracional
Que fira a integridade
E a saúde corporal...
Tapas, socos, empurrões;
Beliscões e pontapés
Arranhões, puxões de orelha;
Seja um, ou sejam dez
Tudo é violência física
E causam dores cruéis.
Vamos ao segundo tipo
Que é a psicológica
Esta merece atenção
Mais didática e pedagógica
Com a autoestima baixa
Toda a vida perde a lógica...
Chantagem, humilhação;
Insultos; constrangimento;
São danos que interferem
No seu desenvolvimento
Baixando a autoestima
E aumentando o sofrimento.
Violência sexual:
Dá-se pela coação
Ou uso da força física
Causando intimidação
E obrigando a mulher
Ao ato da relação...
Qualquer ação que impeça
Esta mulher de usar
Método contraceptivo
Ou para engravidar
Seu direito está na lei
Basta só reivindicar.
A quarta categoria
É a patrimonial:
Retenção, subtração,
Destruição parcial
Ou total de seus pertences
Culmina em ação penal...
Instrumentos de trabalho
Documentos pessoais
Ou recursos econômicos
Além de outras coisas mais
Tudo isso configura
Em danos materiais.
A quinta categoria
É violência moral
São os crimes contra a honra
Está no código penal
Injúria, difamação;
Calúnia, etc. e tal.
Segundo o artigo quinto
Esses tipos de violência
Dão-se em diversos âmbitos
Porém é na residência
Que a violência doméstica
Tem sua maior incidência.
E quem pode ser enquadrado
Como agente/agressor?
Marido ou companheiro
Namorado ou ex-amor
No caso de uma doméstica
Pode ser o empregador.
Se por acaso o irmão
Agredir a sua irmã
O filho, agredir a mãe;
Seja nova ou anciã
É violência doméstica
São membros do mesmo clã.
E se acaso for o homem
Que da mulher apanhar?
É violência doméstica?
Você pode me explicar?
Tudo pode acontecer
No âmbito familiar!
Nesse caso é diferente;
A lei é bastante clara:
Por ser uma questão de gênero
Somente à mulher, ampara.
Se a mulher for valente
O homem que livre a cara.
E procure seus direitos
Da forma que lhe convenha
Se o sujeito aprontou
E a mulher desceu-lhe a lenha
Recorra ao código penal
Não à Lei Maria da Penha.
Agora, num caso lésbico;
Se no qual a companheira
Oferecer qualquer risco
À vida de sua parceira
A agressora é punida;
Pois a lei não dá bobeira.
Para que os seus direitos
Estejam assegurados
A Lei Maria da Penha
Também cria os juizados
De violência doméstica
Para todos os estados.
Aí, cabe aos governantes
De cada federação
Destinarem os recursos
Para implementação
Da Lei Maria da Penha
Em prol da população.
Espero ter sido útil
Neste cordel que criei
Para informar o povo
Sobre a importância da lei
Pois quem agride uma rainha
Não merece ser um rei.
Dizia o velho ditado
Que “ninguém mete a colher”.
Em briga de namorado
Ou de “marido e mulher”
Não metia... agora, mete!
Pois isso agora reflete
No mundo que a gente quer.


[Fonte: letras.mus.br]

DOCUMENTÁRIO - GRAFITE x PICHAÇÃO



Documentário sobre Grafite e Pichação.

ENTREVISTA - OS GÊMEOS GRAFITEIROS


Entrevista dos Gêmeos no programa Poli, da TV Cultura, em 7/7/2013.

segunda-feira, 31 de março de 2014

NEGÓCIO DE MENINO COM MENINA - Ivan Ângelo


O menino, de uns dez anos, pés no chão, vinha andando pela estrada de terra da fazenda com a gaiola na mão. Sol forte de uma hora da tarde. A menina de uns nove anos ia de carro com o pai, novo dono da fazenda. Gente de São Paulo. Ela viu o passarinho na gaiola e pediu ao pai:

- Olha que lindo! Compra pra mim?

O homem parou o carro e chamou:

- Ô menino.

O menino voltou, chegou perto, carinha boa. Parou do lado da janela da menina. O homem:

- Este passarinho é pra vender?

- Não senhor.

O pai olhou para a filha com uma cara de deixa pra lá.

A filha pediu suave como se o pai tudo pudesse:

- Fala pra ele vender.

O pai, mais para atendê-la, apenas intermediário:

- Quanto você quer pelo passarinho?

- Não tou vendendo não senhor.

A menina ficou decepcionada e segredou:

- Ah, pai, compra.

Ela não considerava, ou não aprendera ainda, que negócio só se faz quando existe um vendedor e um comprador. No caso, faltava o vendedor. Mas o pai era um homem de negócios, águia da Bolsa, acostumado a encorajar os mais hesitantes ou a virar a cabeça dos mais recalcitrantes:

- Dou dez mil.

- Não senhor.

- Vinte mil.

- Vendo não.

O homem meteu a mão no bolso, tirou o dinheiro, mostrou três notas, irritado.

- Trinta mil.

- Não tou vendendo, não, senhor.

O homem resmungou “que menino chato” e falou pra filha:

- Ele não quer vender. Paciência.

A filha, baixinho, indiferente às impossibilidades da transação:

- Mas eu queria. Olha que bonitinho.

O homem olhou a menina, a gaiola, a roupa encardida do menino, com um rasgo na manga o rosto vermelho de sol.

- Deixa comigo.

Levantou-se, deu meia volta, foi até lá. A menina procurava intimidade com o passarinho, dedinho nas grestas da gaiola. O homem, maneiro, estudando o adversário:

- Qual é o nome deste passarinho?

- Ainda não botei nome nele, não. Peguei ele agora.

O homem, quase impaciente:

- Não perguntei se ele é batizado não, menino. É pintassilgo, é sábia, é o quê?

- Aaaah. É bico-de-lacre.

A menina, pela primeira vez, falou com o menino:

- Ele vai crescer?

O menino parou os olhos pretos nos olhos azuis.

- Cresce nada. Ele é assim mesmo, pequenininho.

O homem:

- Canta?

- Canta nada. Só faz chiar assim.

- Passarinho besta, hein?

- É. Não presta pra nada. É só bonito.

- Você Pegou ele dentro da fazenda?

- É. Aí no mato.

- Essa fazenda é minha. Tudo que tem nela é meu.

O Menino segurou com mais força a alça da gaiola, ajudou com a outra mão nas grades. O homem achou que estava na hora e falou já botando a mão na gaiola, dinheiro na outra mão.

- Dou quarenta mil! Toma aqui.

- Não senhor, muito obrigado.

O Homem, meio mandão:

- Vende isso logo, menino. Não ta vendo que é pra menina?

- Não, não tou vendendo não.

- Cinquenta mil! Toma! _ e puxou a gaiola.

Com cinquenta mil se comprava um saco de feijão, ou dois pares de sapatos, ou uma bicicleta velha.
O menino resistiu, segurando a gaiola, voz trêmula.

- Quero não senhor. Tou vendendo não.

- Não vende por quê, hein? Por quê?

O menino acuado, tentado explicar:

- É que eu demorei a manhã todinha pra pegar ele e tou com fome e com sede, e queria ter ele mais um pouquinho. Mostrar pra mamãe.

O homem voltou para o carro, nervoso. Bateu a porta, culpando a filha pelo aborrecimento.

- Viu no que dá mexer com essa gente? É tudo ignorante, filha. Vam'bora.

O menino chegou pertinho da menina e falou baixo, para só ela ouvir:

- Amanhã eu dou ele pra você. Ela sorriu e compreendeu.



[BAIXAR VERSÃO EM .PDF]






[Assista ao vídeo com a versão dramatizada deste texto]